UM SISTEMA NERVOSO, SENSÍVEL E DOLORIDO

No auge do verão do Rio de Janeiro, começa a temporada de caça ao bronze perfeito.

É claro que, alguns que nunca entraram no mar vão passar o dia sem usar protetor e pedem para se queimar, ainda mais com o espetinho de camarão com limão. Não esqueçam do mate com biscoito globo.

 

 Todos nós já queimamos o corpo no sol: a pele fica sensível até no vento e no toque na pele, parece que o hidratante não adianta e dói pra burro até mesmo movimentando o corpo. É exatamente isso o que acontece com o sistema nervoso de pessoas com dor persistente: fica sensível como a queimadura de sol. Mas, diferentemente da queimadura, algumas semanas não são suficientes para “cicatrizar e renovar” o sistema nervoso.Isso pode ser marcante para nossos neurônios (ovos estrelados) e ficar memorizado para sempre, ou seja, ser sensível e ter dor persistente por um longo tempo.

Então, pessoas com dor persistente memorizam que a dor faz parte do usual e da rotina de funcionamento do cérebro. Puro curto circuito. Adianta desfibrilar? Coisas que antes nunca doiam, agora vão doer: sair de casa, comer, trocar de roupa, ir ao banheiro, brigar com a namorada, ficar nervoso e por ai vai.

 

Quando temos alguma dor no corpo, nosso sistema nervoso entra em alerta. Ficamos meio que preparados para o que pode acontecer:

1. Franguinho (ter medo)

2. He-man (encarar)

3. Capitão planeta (proteger)

4. Dr Evil (fugir)

Se a dor persiste, o alerta persiste. Se temos 10 anos de dor, temos 10 anos de um sistema nervoso sensível e em alerta para o que der e vier. Há pelo menos 2 décadas diversos estudos científicos trazem essas “novidades”, mas imfelizmente a maioria das pessoas só sabem que é novidade quando estão com dor crônica, e olhe lá.

 Algumas frases típicas que já ouvi ao longo do tempo:

* “não é possível, eu só andei 5 minutos no shopping com meu javali e tive uma crise nas cadeiras”

- – fazia horas de ginástica (deduro logo)

* “eu apenas peguei uma simples borracha no chão e piorei tudo”

- – pode acontecer até com uma caneta

* “minha mãe me disse que estou meio volumosa por causa dos remédios para a dor, chorei a tarde toda e entrei em crise”

- – complexo para o resto da vida (não há dúvida)

 * “hummm, acho que esqueci o ferro ligado, fiquei nervosa e tive uma crise de dor de cabeça”

- – vida sobre estresse (…?)

Sempre há um motivo para a piora da dor, não necessariamente por causa de esforço. No sistema nervoso sensível, mínimas situações provocam dor.

Por exemplo, enquanto todos acham que a dor lombar crônica é causada por artrose e hérnias, o fisioterapeuta esperto / malandro / carioca (HEHEHE) / anos de praia / vai pensar que a sensibilização é infinitamente mais importante que a micro hérnia. Agora, o que sensibiliza pode estar por debaixo dos panos.

 

* Sistema Nervoso Lindo e Maravilhoso

Pessoas que não tem dor persistente, não são irritadas ou estressadas, estão sempre de bem com a vida, tudo é azul, bem e zen. Meu oposto. Tipo assistir cavalos correndo na praia e gaivotas felizes voando.

 

* Sistema Nervoso pouco Sensível

A vida corre dentro das capacidades e possibilidades. A dor está por ai, mas muitas vezes não é suficiente para atrapalhar ou irritar. Tipo assistir Malhação ou Jovens Guerreiros Tatuados de Beverly Hills

* Sistema Nervoso bem Sensível

A vida se limita a apenas cuidar da dor. Muitas vezes, pacientes com dor apenas se tratam, não fazem coisas que gostam e ficam bem limitados e irritados. Tipo assistir Sex and the City ou Glee.

* Sistema Nervoso muito Sensível

Repouso, remédios, drama, sofrimento e irritação, e não fazer mais nada. Tipo assitir o BBB.

E isso tem solução? Não é como ganhar na mega sena. Meu amigo, minha amiga…seria como descobrir água no sol. Mas existem sim maneiras de melhorar essa sensibilização excessiva.

Vamos as dicas?

 

  1. Conheça sobre seu problema, saiba o que provoca e alivia sua dor
  2. Não deixe a dor ser o guia do seu dia a dia
  3. Conheça seus limites e não ultrapasse
  4. Trate a dor quando está leve (menos sensível). Se deixar pra depois o bicho pega
  5. Remédios podem ajudar, mas sozinhos enxugam gelo
  6. Pense menos na dor. Quanto mais você pensar na dor mais a dor vai querer que você pense nela
  7. Tenha controle sobre a quantidade das atividades que você pode fazer para evitar a dor. Se não sabe, busque ajuda de um fisioterapeuta
  8. Aprenda a lidar com a dor de forma mais positiva. Se não sabe, procure um psicólogo. Não morde
  9. Resolva seus problemas de saúde. Se não sabe, um médico pode ajudar

 

Dicas simples que podem fazer diferença. A fisioterapia ajuda? Medicina? Psicologia? Todos ajudam. Porém, se você não fizer sua parte, quem vai fazer por você? Eu com certeza não.

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Abraços Dessenssibilizados…..
Artur Padão GoslingPada

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