As dores que afetam a vida sexual

Falar abertamente de sexo, sem censura, sem compromisso, apenas sexo é uma tarefa Tabu Brasil. Só não é para a velhinha descolada e moderninha Sue Johanson.

 

Pode parecer que não é verdade, mas a verdade é que muitas pessoas perdem sua vida sexual por causa da dor. E, não necessariamente isso está relacionado ao ato sexual e si.

Então hoje, para retornar as super postagens do blog da dor crônica, o blog sobre dor mais legal do mundo, vamos falar “tabumente” sobre como a dor, principalmente a dor crônica, pode afetar a vida sexual das pessoas.

Vamos começar com a história da “Fulana”, a qual não me lembro mais o nome. Atendi a super “Fulana” por alguns meses com dor no pescoço e uma ansiedade absurda. Em um momento do tratamento, ela resolveu me contar um fato de vida real. Contou que ela não podia mais ter relações sexuais. Eu, abismado com tal fato a questionei. Simplesmente, segundo ela, foi proibida de ter relações sexuais pela sua médica, pois isso poderia aumentar a hérnia e comprimir mais ainda sua medula. Totalmente chocado com a informação, começamos a conversar mais a respeito e, no final das contas, ela mandou brasa sabe lá com quem e ficou tudo bem. Não questionando a atitude médica, até porque eu nada tenho a ver com isso, o impacto que essa “proibição” teve na vida da “fulana” foi muito grande. Vale lembrar, por favor, que nem médicos e nem fisioterapeutas mandam na nossa vida consciente ou decidem por nós, ok?

 

1 – Nessa história péssima, a paciente acabou sendo prejudicada por uma orientação sem sentido, muito comum na saúde brasileira. Isso se chama Iatrogenia. É um dos grandes motivos para processos jurídicos, principalmente nos Estados Unidos.

 

Qualquer dor que afete alguma atividade deve ser vista com atenção. Quando isso é visto logo no começo, dá pra resolver mais rápido. Agora, quando vamos empurrando com a barriga…o bicho pega.

 

2 – A dor durante a relação sexual é chamada de Dispareunia, independente da causa.  Acredita-se que esse problema esteja associado a endometriose ou cistite nas mulheres. Nos homens, está mais associado a problemas na próstata, mas é raro. Enfim, é mais fácil chamar de dispareunia do que pensar em outras coisas. É muito fácil entendermos que, quando existe alguma inflamação ou infecção, podemos ter dor nos órgãos sexuais.

3 – Mas, e quando dói e nada é encontrado nos exames? Esse é dos grandes mistérios das dores durante a relação sexual. Estudos mostram que os músculos tensos ao redor dos órgãos sexuais podem ser um dos fatores responsáveis e isso não aparece nos exames. E a grande questão é: porque ficam tensos? Se fosse fácil responder eu estaria rico. Ansiedade, depressão, medo provocam tensão muscular.


 

4 – Existe uma estatística muito interessante. Em alguns centros de dor do Brasil, cerca de 50% das mulheres que tem dor pélvica já tiveram algum abuso anterior, seja diretamente sexual ou mesmo verbal. Além disso, algumas das mulheres eram extremamente submissas e já havia sofrido agressões. É claro que não podemos generalizar, mas é algo para ficarmos de olho.

É claro que ninguém merece ter dor persistente e ainda ter que estar na ativa. Sempre teremos, claro, a desculpa feminina da dor de cabeça e a desculpa masculina de ter que levar a avó na musculação.

Já que a dor crônica é a bola da vez, a perda da libido (desejo) é algo frequente em pessoas com dor crônica. Casamentos podem terminar por isso e pessoas tornam-se altamente depressivas. Se isso for algo muito importante, então terá grande impacto como a perda de uma atividade regular. Muitas pessoas com dor crônica persistente acabam mantendo o foco na dor ou passando o dia pensando em dor ou vivendo em função da dor. Desta forma, parece meio impossível ter vontade de fazer alguma coisa mesmo.

Resumindo, então temos a iatrogenia, dispareunia, histórias de abusos e a própria dor crônica que afetam a vida sexual de alguns.

Mas lembre-se, isso pode mudar. Ninguém precisa ficar em casa esperando alguma coisa acontecer. Se você resolver ficar em casa, se não tiver jeito mesmo, sempre terá a Sue Johanson a sua disposição. Qualquer semelhança com a Scarlett Johanson é mera coincidência nominal apenas.

    

 

 

 

 

 

 

 

 

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Abraços

Artur Padão Gosling – Pada

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